Associação Brasileira de Brangus
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Matéria atualizada 20/07/2018

Carne brangus conquista o consumidor brasileiro

A raça bovina brangus tem sido um sucesso no Brasil – só na última década, o número de registros bovinos da raça cresceu mais de 80%, passando de 6.000 para 10.785 cabeças, segundo a Associação Brasileira de Brangus, a ABB. Trata-se de uma raça classificada como sintética, ou seja, desenvolvida a partir da mistura das espécies brahman e angus, processo que começou nos Estados Unidos em 1912. No Brasil, a raça chegou nos anos 1940 e começou a ser criada em Bagé, no Rio Grande do Sul, recebendo a denominação de ibagé. Mas foi apenas nos anos 1990 que começou realmente a despontar por aqui.

São diversos os motivos que levaram a raça a se estabelecer tão bem no país. Belarmino Iglesias, proprietário do Grupo Rubaiyat, que tem em seu guarda-chuva sete restaurantes Rubaiyat (em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, México, Espanha e Chile), A Figueira (São Paulo) e o Cabaña Las Lilas (Buenos Aires), conta que o brangus é a segunda raça de corte mais produzida no Brasil, atrás apenas do nelore. “Ele veio melhorar o desfrute da pecuária brasileira”, diz, explicando que o termo “desfrute” se refere ao tempo do abate que, no caso do brangus, é cerca de 24 meses, ou seja, 12 meses a menos do que o abate do nelore, resultando em uma carne de qualidade superior em um espaço mais curto de tempo e, consequentemente, aumentando a escala. Aliado a isso, o país tem um clima tropical propício para a mistura de raças, que suporta bem altas temperaturas. “Este é um fator determinante para escalonar a produção e não restringi-la a áreas apenas com temperaturas mais baixas, caso da região Sul do país.”


Criação de gado do Grupo Rubaiyat

O produtor Valdomiro Poliseli Jr., presidente da VPJ Pecuária, seleciona a raça desde 2005 na Fazenda Xavantina, no município de Nova Crixás (Goiás). Ele conta que a raça passa por um momento positivo: “Os touros brangus têm sido bem valorizados em leilões pelo Brasil afora, sendo um animal para cruzamento comercializado na faixa de R$ 10 mil a R$ 15 mil. As fêmeas custam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil”.

Belarmino diz que, no Brasil, consolidou-se a criação do brangus ⅜ – três partes de zebu (equivalente ao brahman norte-americano) e cinco partes de angus. “Este último produz uma carne com mais sabor, mas, por causa do clima, só existe no Sul. O que permitiu a produção em larga escala do brangus foi justamente a mistura com o zebu”, explica. Atualmente, nos restaurantes do grupo, o brangus figura como um dos protagonistas dos menus. Os preços – que variam em função do corte – vão de R$ 110 (porção de 350 gramas de tirita de picanha) a R$ 142 (master beef clássico também de 350 gramas). A média atual de consumo das carnes nos restaurantes brasileiros do Grupo é de 2,4 toneladas por semana, contabilizando todos os cortes.

Já no açougue gourmet Feed, localizado no bairro paulistano do Itaim, a raça é um sucesso de vendas. Segundo Márcio Valenti, chef executivo do local, o custo-benefício da carne é bom – principalmente em comparação com a raça japonesa wagyu, cujo quilo é vendido por valores de três a cinco vezes maiores. A picanha de brangus custa R$ 99, enquanto o bife ancho sai por R$ 84,90. “O brangus apresenta marmoreio intermediário, com excelente sabor”, diz Valenti. O marmoreio é o nível de gordura intramuscular, aqueles traços brancos no meio das fibras musculares vermelhas, que está relacionado à maciez da carne e ao sabor mais acentuado.


Fonte: Forbes Brasil - Giulianna Iodice


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