Os frigoríficos exportadores argentinos, muitos dos quais ainda não tinham conseguido repor os bois que estavam em confinamentos próprios ou de terceiros, estão de volta ativos e podem ter recuperado quase todas as 120-150 mil cabeças que possuiam no início deste ano. Mas eles sabem que esses animais, em três ou quatro meses serão retirados da propriedade e destinados ao abate em suas próprias plantas. Estes bois faltarão no Outono, quando deve concluir a implementação da cota Hilton.
Eles sabem que esses novilhos e novilhas comprados hoje das ilhas em decorrência das inundações, na melhor das hipóteses podem significar 20 por cento das necessidades do consumo interno e não podem ser compensados pois além da seca agora ocorrem inundações no país. Isso significa que em dezembro / janeiro a situação parece estar controlada, porém o rebote da falta de gado tende a se agravar de abril para frente e nos confinamentos irá faltar um número significativo de animais com 350-400Kg.
Os animais que não vão para abate também vão sofrer neste período pois as patagens de inverno estão cada vez mais escassas. As ilhas, com 1,2 a 1,5 milhões de bois terminados a pasto é uma das poucas áreas capazes de realizar tal atividade sem uso de rações. Além disso, entre 80 e 85 por cento dos animais saídos desses locais são machos e com média de 250 Kg; o que não deixaria um mercado muito bom para os bezerros e novilhas. Enfim, esta inundação provocada pela cheia do rio reforça ainda mais a tendência dos últimos três anos: mais carne no curto prazo e falta a partir de meados do próximo ano.
Nos últimos dias houve uma baixa no rio que estimulou os pecuaristas a suspender a evacuação da área, principalmente àquelas mais altas, entretanto já saíram quase 60% dos animais que eram criados no local.
Com a inundação e o reabastecimento recente dos confinamentos (embora ainda não como meados do ano), a subida do preço do gado mais leve foi prejudicada. Esta situação deixará uma “brecha” no mercado de boi gordo e ocasionará falta de animais mais leves agora e uma boa oferta dos mesmos nos meses do verão.
Se o governo nacional acha que os confinamentos são a única solução para absorver a riqueza que vem das ilhas e paga subsídios para estas empresas, o preço das invernadas ganhará espaço novamente em decorrência do exceso de oferta pontual (pela inundação) e pelo período de suspensão das compensações.
Fonte: www.agroparlamento.com

