Painel inédito da Expointer reuniu produtores rurais que também têm no surfe uma paixão e discutiu qualidade, genética, comunicação e o futuro da pecuária
“Chegou o momento de surfar na onda. Os próximos anos serão de mar bom. Não baixem a régua.” A frase de Pedro Bastos, produtor rural, leiloeiro e surfista, sintetizou o tom do painel “Pecuária, carne e o Brangus na visão de agro-surfistas”, realizado neste domingo (30), durante o Dia do Brangus, na Expointer 2026.
Em uma conversa que aproximou os universos do campo e do surfe, cinco produtores e profissionais ligados ao Brangus compartilharam experiências e discutiram os caminhos da pecuária brasileira, da produção de carne e da própria raça.
O painel foi moderado por Roberto Grecellé, executivo-chefe da Associação Brasileira de Brangus, e reuniu Eduardo Linhares da Silva, Ignácio Tellechea, Ignácio Weiller, Pedro Bastos e Rafael Linhares da Silva.
”Não baixem a régua”
Para Pedro Bastos, o momento vivido pelo Brangus é de oportunidades. Ao comparar o cenário da raça com as condições de um mar favorável, ele afirmou que os próximos anos devem ser positivos para a atividade.
“Chegou o momento de surfar na onda. Os próximos anos serão de mar bom. Não baixem a régua.”
Bastos também chamou atenção para a evolução genética dos animais. “É incrível a evolução dos touros”, afirmou, destacando o avanço alcançado pelos criadores na busca por animais cada vez melhores.
A avaliação ocorre em uma Expointer de participação expressiva do Brangus. A raça conta com 195 animais inscritos, o maior número entre as raças bovinas no pavilhão de argola.
Construir uma identidade para a carne brasileira
A valorização da carne foi um dos principais temas abordados por Ignácio Weiller, engenheiro e surfista. Para ele, o Brasil precisa avançar na construção de uma identidade própria para sua carne, a exemplo do trabalho desenvolvido por Argentina e Uruguai. Ele defendeu o fortalecimento da cadeia produtiva como caminho para ampliar o valor agregado do produto brasileiro.
O produtor relacionou ainda o tema à saúde e ao crescimento do debate sobre alimentação. Em um cenário marcado pelo consumo de produtos ultraprocessados, a carne pode ocupar um espaço importante como fonte de proteína e como parte de uma alimentação de qualidade.
Da pista ao prato
Ao falar sobre o futuro do Brangus, Weiller destacou que o objetivo da seleção genética deve ser produzir indivíduos exemplares, combinando características que façam sentido tanto para a atividade pecuária quanto para o consumidor. “Hoje vemos as pistas cheias com a raça Brangus. Estamos fortalecendo a nossa raça”, comemorou.
A ideia reforça uma característica central do Brangus: resultado do cruzamento entre Angus e raças zebuínas, a raça busca combinar qualidade de carne, produtividade, fertilidade, rusticidade, adaptação ao calor e resistência a parasitas.
“Não adianta ter um bom produto se as pessoas não souberem disso”
Ignácio Tellechea, produtor rural, empresário e surfista, também chamou atenção para a necessidade de comunicar melhor os atributos da carne e do Brangus.
Para ele, a qualidade precisa ser acompanhada de uma estratégia capaz de fazer com que o consumidor reconheça o produto. O produtor defendeu o trabalho conjunto da cadeia para fortalecer a raça e ampliar o reconhecimento do produto. “Não adianta ter um bom produto se as pessoas não souberem disso.” E Brangus é um baita produto”, afirmou.
Adaptação: uma característica comum entre o campo e o mar
A relação entre os dois universos também apareceu na fala de Rafael Linhares da Silva, produtor rural e surfista. Ele chamou atenção para o desconhecimento que ainda existe sobre os assuntos relacionados ao campo por parte de parcela da população e falou sobre a necessidade de maior integração entre pecuária e agricultura para a construção de sistemas capazes de enfrentar diferentes cenários, com diversificação de culturas e atividades.
Humildade e capacidade de adaptação à natureza, segundo Rafael, estão entre os pontos em comum entre quem produz e quem surfa. “No mar ou no campo, é necessário compreender as condições naturais e ajustar as decisões a elas”, disse.
Aproximar o consumidor da carne
A necessidade de ampliar o conhecimento do público sobre a carne também foi abordada por Eduardo Linhares da Silva, produtor audiovisual e empresário rural.
Ele destacou que existe interesse crescente das pessoas em conhecer mais sobre a produção, mas explicou que a carne é um produto complexo e, por isso, não é simples transmitir ao consumidor todos os fatores que determinam sua qualidade.
A associação entre carne, esporte, saúde e desempenho pode ajudar a ampliar o diálogo com novos públicos e apresentar a proteína aos consumidores.

