Aftosa: Problemas no MS retarda status livre do PR
A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) não chegou a discutir a situação paranaense na reunião de terça-feira (22), porque o assunto nem sequer foi incluído na pauta do encontro. Isso ocorreu porque o Paraná pertence ao mesmo circuito agropecuário do Mato Grosso do Sul, onde ainda estão sendo abatidos compulsoriamente os últimos animais localizados na faixa de fronteira com o Paraguai. Naquela região, ainda há atividade viral positiva ao vírus da febre aftosa.
Segundo o economista do Sindicato das Indústrias da Carne do Paraná (Sindicarnes), Gustavo Fanaya, vários estados brasileiros (entre eles Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso) perderam seus status sanitários quando foram confirmados os casos de febre aftosa no MS, em outubro de 2005. "A diferença do Paraná com relação aos outros estados é que a doença foi registrada aqui e foram levantados embargos. Como nos outros locais não houveram focos, as exportações continuaram e até cresceram", explicou. Além do PR, talvez o outro prejudicado tenha sido SP, uma vez que a União Européia embargou as exportações.
Por isso, a expectativa da entidade é que os embargos ao Paraná sejam levantados somente no próximo ano, quando as ações sanitárias desenvolvidas no MS já devem ter sido concluídas. Isso porque aquele estado optou pelo abate e não pelo sacrifício, como foi feito no PR. A diferença é que o abate destina a carne ao consumo, o que aumenta de seis meses para, pelo menos, um ano o período denominado ""vazio sanitário"". O sacrifício despreza totalmente as carcaças. Já a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) tem uma previsão mais otimista.
"Esperamos que até setembro o Paraná recupere o seu status. O estado já cumpriu o seu dever de casa (com o desenvolvimento das ações sanitárias), a documentação foi enviada à OIE no ano passado e estamos aguardando a avaliação do comitê técnico que deve sair até setembro"", frisou Silmar Burer, chefe do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária da Seab, ao jornal "Folha de Londrina".
Enquanto isso, a cadeia produtiva da carne paranaense acumula prejuízos de cerca de R$ 915 milhões. De acordo com cálculos do Sindicarnes, as perdas estão distribuídas entre as três cadeias produtivas de carne: suína (55% do valor), bovina (25%) e de aves (20%). (Com Agência Estado).
Fonte: Portal DBO